Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

30 de julho de 2011

Panorama


Há muito tempo atrás, quando eu era bem pequena – bem menor do que sou agora..., fui com meus pais e alguns amigos deles a um passeio em Panorama. Acontece que viajávamos de trem, naquela época poucos tinham carro e viagens de ônibus eram muito mais dispendiosas. Na minha perspectiva infantil, os trens eram a coisa mais poderosa, imensa e venturosa possível... e escorregavam em seus trilhos pelo mundo inteiro...,viabilizando novas aventuras e descobertas...Portanto, enorme foi minha surpresa ao chegar próximo de Panorama, ouvir do funcionário da ferrovia – em seu brado característico:
“Paaanoraama”..., “Fiiim da linha”!!!
“Como assim "fim-da-linha", mãe!?! Eu estava chocada, tão chocada que quis ver onde terminavam os trilhos. Mas me explicaram que era o fim dos trilhos e não o fim dos caminhos....
Com o passar do tempo aprendi que por mais encantada que seja a viagem, existe sempre o “fim-da-linha”. Muitas vezes o nosso apego nos faz tentar encontrar culpados, ora somos nós, ora são os outros...Existe em nós imensa dificuldade de aceitar os ciclos e isso se deve a falta de conexão com os processos naturais...A natureza é plenamente consciente do ciclo vida-morte-vida. Aquilo que morre é matéria para aquilo que nasce...Não há culpados, não há erros, há o continuo fluir dos caminhos....Quando chegarmos ao “fim-da-linha” é hora de olhar para traz, com profunda gratidão e reconhecer a beleza de tudo que vivemos. E depois caminhar, conscientes de que se findam os trilhos, não os caminhos.... 
(gi)

29 de julho de 2011



Eu acredito no respeito pelas crenças de todas as pessoas, 
mas gostaria que as crenças de todas as pessoas 
fossem capazes de respeitar as crenças de todas as pessoas."

(Saramago)

27 de julho de 2011


“eu me perdi numa floresta e quando finalmente cheguei no vilarejo mais próximo que pude encontrar, já era meia-noite. Todos dormiam profundamente. Perambulei por toda a cidade para ver se podia encontrar alguém acordado que me desse abrigo para passar a noite, até que finalmente encontrei um homem. Perguntei a ele, ‘Parece que eu e você somos os únicos que estamos acordados nesta cidade. Você pode me dar abrigo para esta noite?’


“O homem disse. ‘Posso ver por seus trajes que você é um monge Sufi...’”

A palavra Sufi vem de suf; que significa lã, túnica de lã. Os sufis têm usado túnicas de lã há séculos; portanto foram chamados Sufis por causa das suas vestimentas. O homem disse, “Posso ver que você é um Sufi e me sinto um pouco desconcertado em levá-lo para minha casa. Gostaria de lhe dar abrigo, mas antes preciso lhe dizer quem eu sou. Sou um ladrão - você gostaria de ser hóspede de um ladrão?”

Por um momento, Junnaid hesitou. O ladrão disse, “Olhe, foi melhor que eu tenha dito a verdade. Você me parece hesitante. O ladrão está disposto a lhe dar abrigo, mas o místico parece hesitar de entrar na casa de um ladrão, como se o místico fosse mais fraco que o ladrão. Na verdade, eu deveria estar com medo de você – você pode me transformar, você pode mudar toda minha vida! Convidar você significa perigo, mas não estou assustado. Você é bem vindo. Venha para minha casa. Coma, beba, durma, e fique quanto tempo quiser, pois vivo sozinho e o que ganho é suficiente. Eu posso sustentar duas pessoas. E seria bom conversar com você sobre grandes coisas. Mas você parece hesitante.”

E Junnaid deu-se conta de que isso era verdade. Ele pediu para ser perdoado. Tocou os pés do ladrão e disse, “Sim, meu enraizamento no meu próprio ser ainda é muito fraco. Você realmente é um homem forte e eu gostaria de ficar na sua casa. E gostaria de ficar por algum tempo, não só por essa noite. Eu também quero aprender a ser mais forte.”

O ladrão disse, “Então venha!” Ele alimentou o Sufi, deu-lhe algo para beber, ajudou-o a preparar-se para dormir e depois disse, “Agora tenho que ir. Tenho que cuidar de meu próprio negócio. Voltarei de manhã cedo.”

De manhã cedo o ladrão retornou. Junnaid perguntou, “Você teve sucesso?”

O ladrão disse, “Não, hoje não, mas haverá outros dias.”

E isso aconteceu continuamente, por trinta dias: toda noite o ladrão saía, e toda manhã voltava de mãos vazias. Mas ele nunca estava triste, nunca ficava frustrado – não havia sinal de fracasso em seu rosto, ele estava sempre feliz – e ele dizia: “Não importa. Eu fiz o melhor que pude. Não pude achar nada de valor hoje, mas amanhã tentarei.de novo E, se Deus quiser, pode acontecer amanhã se não aconteceu hoje.”

Após um mês, Junnaid foi embora, e por anos ele tentou realizar o ato supremo, porém sempre fracassava. Mas toda vez que ele decidia abandonar todo o projeto lembrava-se do ladrão, sua face sorridente e dizendo “Se Deus quiser, aquilo que não aconteceu hoje irá acontecer amanhã.”

Junnaid disse ao discípulo, eu me lembro do ladrão como um dos meus maiores mestres. Não fosse ele eu não seria o que sou.

25 de julho de 2011

"Cada um de nós é um grão de pó que o vento da vida levanta,e depois deixa cair."
 Fernando Pessoa

Escudo do Centro

Depois que me soltei das teias do que não sou,
 me encontrei no centro, no vazio onde na impermanência percebo com clareza a impermanência da Teia,
 nela tudo vem e vai...
Vaidades vem e vão com o vento...
Apegos vão e vem com o vento...
Raivas vão e vem com o vento...
Certezas vão e vem com o vento, 
afetos vão e vem, com o vento, 
o que Sou permanece, persevera através do vento e ..., 
no  Centro Eu Sou...impermanente.....
Levemente...não me identifico em demasia com tudo e nada...
Alerta e Presente...Eu Sou o Nada...Tudo...
Imersa em Amor ...Eu Sou o Centro...
Eu Sou Gislaine e falei....

22 de julho de 2011


 Hannah, estás me ouvindo?
 Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? 
O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam!
 Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.
 Ergue os olhos, Hannah! 
A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. 
Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. 
Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
( de : O Grande Ditador ) 

20 de julho de 2011

19 de julho de 2011

O Anjo na Casa

“... Descobri que ... Precisava travar uma batalha com um determinado fantasma. e o fantasma era uma mulher, e quando cheguei a conhecê-la melhor, passei a chamá-la pelo nome da heroína de um famoso poema, "o anjo na casa" ... 
Ela era intensamente simpática. Maravilhosamente encantadora. Totalmente abnegada. Ela se distinguia nas difíceis tarefas da vida em família. Se havia galinha, ela ficava com o pé, se havia uma corrente de ar, sentava-se bem ali. Em suma, sua constituição era tal, que ela nunca tinha um pensamento ou desejos próprios, preferindo antes apoiar os pensamentos e 
desejos dos outros. Acima de tudo, ela era, é desnecessário dizer pura ...E quando me punha a escrever,
 deparava-me com ela logo nas minhas primeiras palavras. a sombra de suas asas espalhava-se sobre a minha página; eu ouvia o farfalhar da sua saia no quarto .Ela se aproximava furtivamente pelas minhas costas e sussurrava ... Seja simpática; seja delicada; faça elogios; engane; lance mão de todas as artes e ardis do seu sexo. Nunca permita que alguém pense que você tem um pensamento próprio. Sobretudo, seja pura. E agia como se estivesse guiando a minha caneta. Relato agora a única ação que me levou ter  um apreço por mim mesma ... Voltei-me para ela e a agarrei pela garganta. Apertei com toda minha força, até matá-la. Minha defesa, caso fosse levada a um tribunal, seria a de que agi em defesa própria. 
Se eu não a matasse, ela me mataria.” 
(Virgínia Woolf)

18 de julho de 2011

O Demônio

O Demônio

Neste momento de paz e solidão, não me sinto ameaçada por ele...
Mas sua lembrança é tão forte que ainda agora me segura o ar no peito...
Vi-o nos  olhos “do outro” nas vezes que meus olhos eram espelho dágua...,  me lançava chispas de desconfiança-suspeita-raiva-mágoa – mágoa ...
por que nesta altura já havia a certeza de que o “mal” premeditava em mim...
Vi-o a rondar meu coração, a espetá-lo com seu imenso garfo..., sussurrando maldosamente : “pobre tola, não vê como são vis os homens? ainda não os experienciou o suficiente para perceber-lhes a superficialidade? não sabe que nunca cumprem suas promessas? não compreendeu que nascem-lhes em lugar do coração um falo cedento de novidades? ....E em outros momentos, mais filosófico ele diz: amor não existe, não leu Ovídio? E Sartre ? como poderemos aprender a amar com instintos tão primitivos....Liberdade é não alimentar as feras da paixão....Ele é tão ardiloso..., chega a citar Osho e Nietzsche...Sorrindo por dentro percebo que este demônio, compartilha de minhas paixões intelectuais... Meu coração então, abre suas portas para que ele possa entrar, entendo então a necessidade de respeitar sua força, dedicar-lhe parte do meu tempo, permitir-lhe a existência através de minhas ações conscientes...
Ele é parte de mim...Minha verdade, minha integridade...
(gi)

16 de julho de 2011

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, 
porém nos extraviamos. 
 A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... 
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. 
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. 
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. 
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. 
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
( de : O Grande Ditador )

11 de julho de 2011

“A Erva do Diabo”


- …. Há um meio especial de se evitar o sofrimento?

- Sim, há um Meio.

- É uma fórmula, um processo, ou o quê?
- É um modo de se agarrar as coisas. Por exemplo, quando eu estava aprendendo a respeito da erva-do-diabo,
era por demais ansioso. Agarrava as coisas assim como as crianças agarram bala.
A erva-do-diabo é apenas um entre um milhão de caminhos.
Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho
não é mais do que um caminho; se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele,
sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada.
 Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho,
e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer.
Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso.
Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito,
quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la.
 Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração?
Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o
 mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos
compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um
significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver,
não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não.
Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida.
Um o torna forte; o outro o enfraquece.”
Trecho do livro “A Erva do Diabo”,
de
Carlos Castañeda.

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Namastê























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