Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

30 de janeiro de 2010

23 de janeiro de 2010

Procura-se um homem que acredite em fadas...


UMA HISTÓRIA DE FADAS - Caio Fernando Abreu

Era uma vez o País das Fadas. Ninguém sabia direito onde ficava, e muita gente (a maioria) até duvidava que ficasse em algum lugar. Mesmo quem não duvidava (e eram poucos) também não tinha a menor idéia de como fazer para chegar lá. Mas, entre esses poucos, corria a certeza que, se quisesse mesmo chegar lá, você dava um jeito e acabava chegando. Só uma coisa era fundamental (e dificílima): acreditar.
Era uma vez, também, nesse tempo (que nem tempo antigo, era, não; era tempo de agora, que nem o nosso), um homem que acreditava. Um homem comum, que lia jornais, via TV (e sentia medo, que nem a gente), era despedido, ficava duro (que nem a gente), tentava amar, não dava certo (que nem a gente). Em tudo, o homem era assim que nem a gente. Com aquela diferença enorme: era um homem que acreditava. Nada no bolso ou nas mãos, um dia ele resolveu sair em busca do País das Fadas. E saiu.
Aconteceram milhares de coisas que não tem espaço aqui pra contar. Coisas duras, tristes, perigosas, assustadoras, O homem seguia sempre em frente. Meio de saia-justa, porque tinham dito pra ele (uns amigos najas) que mesmo chegando ao País das Fadas elas podiam simplesmente não gostar dele. E continuar invisíveis (o que era o de menos), ou até fazer maldades horríveis com o pobre. Assustado, inseguro, sozinho, cada vez mais faminto e triste, o homem que acreditava continuava caminhando. Chorava às vezes, rezava sempre. Pensava em fadas o tempo todo. E sem ninguém saber, em segredo, cada vez mais: acreditava, acreditava.
Um dia, chegou à beira de um rio lamacento e furioso, de nenhuma beleza. Alguma coisa dentro dele disse que do outro lado daquele rio ficava o País das Fadas. Ele acreditou. Procurou inutilmente um barco, não havia: o único jeito era atravessar o rio a nado. Ele não era nenhum atleta (ao contrário), mas atravessou. Chegou à outra margem exausto, mas viu uma estradinha boba e sentiu que era por ali. Também acreditou. E foi caminhando pela estradinha boba, em direção àquilo em que acreditava.
Então parou. Tão cansado estava, sentou numa pedra. E era tão bonito lá que pensou em descansar um pouco, coitado. Sem querer, dormiu. Quando abriu os olhos — quem estava pousada na pedra ao lado dele? Uma fada, é claro. Uma fadinha mínima assim do tamanho de um dedo mindinho, com asinhas transparentes e tudo a que as fadinhas têm direito. Muito encabulado, ele quis explicar que não tinha trazido quase nada e foi tirando dos bolsos tudo que lhe restava: farelos de pão, restos de papel, moedinhas. Morto de vergonha, colocou aquela miséria ao lado da fadinha.
De repente, uma porção de outras fadinhas e fadinhos (eles também existem) despencaram de todos os lados sobre os pobres presentes do homem que acreditava. Espantado, ele percebeu que todos estavam gostando muito: riam sem parar, jogavam farelos uns nos outros, rolavam as moedinhas, na maior zona. Ao toquezinho deles, tudo virava ouro. Depois de brincarem um tempão, falaram pra ele que tinham adorado os presentes. E, em troca, iam ensinar um caminho de volta bem fácil. Que podia voltar quando quisesse por aquele caminho de volta (que era também de ida) fácil, seguro, rápido. Além do mais, podia trazer junto outra pessoa: teriam muito prazer em receber alguém de que o homem que acreditava gostasse.
Era comum, que nem a gente. A única diferença é que ele era um Homem Que Acreditava.
De repente, o homem estava num barco que deslizava sob colunas enormes, esculpidas em pedras. Lindas colunas cheias de formas sobre o rio manso como um tapete mágico onde ia o barquinho no qual ele estava. Algumas fadinhas esvoaçavam em volta, brincando. Era tudo tão gostoso que ele dormiu. E acordou no mesmo lugar (o seu quarto) de onde tinha saído um dia. Era de manhã bem cedo. O homem que acreditava abriu todas as janelas para o dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. Ficou pensando em quem poderia convidar para ir com ele ao País das Fadas. Alguém de que gostasse muito e também acreditasse. Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente. Esse convite agora está sempre nos olhos dele: quem acredita sabe encontrar. Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso dele era lindo quando pensou todas essas coisas — ah, disso eu não tenho a menor dúvida. E você?

Prefiro o paraíso pelo clima, o inferno pela companhia".
(Mark Twain)

20 de janeiro de 2010

Era uma vez, no planeta Terra

lugares encantados

Madagascar : picos de calcário




As plantas da espécie Dracaena cinnabari que existem na Ilha de Socotra no Oceano Índico.






 Columnar Basalt

Lava vulcânica que subitamente se resfriou e contraiu, formando milhões de colunas hexagonais de basalto. Fica ao norte da Irlanda.




Vale da morte, USA





A caverna Fingal, que fica na Escócia. Impressionante que as colunas de basalto vem de baixo para cima e de cima para baixo, lembrando a entrada de uma catedral gótica.







Plitvice Lakes fica na Croácia e é um parque nacional formado por cerca de 16 lagos e dezenas de cachoeiras maravilhosas.




Vale da Lua – Chapada dos Veadeiros – Brasil


19 de janeiro de 2010

Orquídeas

"Na cidade chinesa de Anan existia uma formosa jovem chamada Hoan-Lan. Essa linda menina-moça tinha por hábito se divertir as custas de quem se apaixonasse por ela, chegando a levar alguns rapazes ao suicídio, devido a sua frieza e desprezo.
Cansado de ver tantos sofrimentos, um poderoso deus decidiu castigar Hoan-Lan e como castigo fez a volúvel jovem se apaixonar perdidamente pelo formoso Mun-Say, sem que esse lhe prestasse a mais pequena atenção.
Desesperada pelo amor de Mun-Say, Hoan-Lan procurou o deus da montanha de Tan-Vien e implorou-lhe ajuda, mas este estava tão zangado com a atitude da jovem, que mandou-a embora. Na saída da gruta, Hoan-Lan encontrou uma bruxa de pés de cabra que ofereceu vingança contra o seu amado em troca da alma da jovem. Perdidamente apaixonada, aceitou o pacto e a bruxa fez um feitiço com a folha de palmeira e enterrou-a depois de pronunciar umas palavras desconhecidas.
Passado alguns dias, Hoan-Lan viu seu amado Muy-Say de longe e correu a seu encontro, mas quando se preparava para abraça-lo, o jovem rapaz transformou-se numa árvore de ébano.
Chorando muito junto ao amado, ali ficou durante muito tempo até que despertou a compaixão de um deus que, colocando o dedo na testa da moça, a perdoou, transformando-a numa flor antes que a bruxa lhe retirasse a alma. No entanto, concedeu que jamais se separasse de seu amado, vivendo da seiva da árvore.
E foi assim que apareceu a primeira orquídea. "

16 de janeiro de 2010

Lindo...

 Querido Jeremy!

   Nos últimos dias, tentei aprender a não confiar nas pessoas.
Mas estou feliz por ter fracassado.
   Às vezes, dependemos das pessoas como se fossem um espelho,
para nos definirem e dizer quem somos nós.
 E cada reflexo me faz gostar um pouco mais de mim.


Com carinho,
Elizabeth

   ( Trecho do filme : Um beijo roubado )
                                

14 de janeiro de 2010

Responsabilidade pelo que sonhamos....Hildebrandt



“Quando estamos ansiosos por negar alguma acusação injusta, especialmente uma
acusação que se relacione com nossos objetivos e intenções, muitas vezes usamos a frase‘eu nunca sonharia com tal coisa’. Desse modo expressamos, por um lado, nosso sentimentode que a região dos sonhos é a mais remota e distante das áreas em que somosresponsáveis por nossos pensamentos, já que os pensamentos nessa região acham-se tão frouxamente ligados com nosso eu essencial que mal podem ser considerados como nossos;
mas, ainda assim, visto nos sentirmos expressamente obrigados a negar a existência desses pensamentos nessa região, admitimos indiretamente, ao mesmo tempo, que nossa autojustificação não seria completa caso não se estendesse até esse ponto. E penso que nisso falamos, embora inconscientemente, a linguagem da verdade.”

Hildebrandt

13 de janeiro de 2010

Demônios na rodovia - JAMES YANDELL

Duas manhãs por semana preciso fazer uma viagem na hora do rush durante a qual, ao aproximar-se de um túnel, as quatro pistas convergem para duas. A mudança é anunciada por uma seqüência de sinais — "DUAS PISTAS À ESQUERDA FECHADAS A 1 KM", "DUAS PISTAS À ESQUERDA FECHADAS A 500 METROS" e "DUAS PISTAS À ESQUERDA FECHADAS, PASSE PARA A DIREITA". A fusão final é reforçada pelas barreiras que eliminam as duas pistas à esquerda e pela realidade do túnel de duas pistas que se aproxima.
Quando comecei a fazer essa viagem, eu costumava usar uma das duas pistas à direita, já que elas levavam direto ao túnel. Como a segunda delas tinha o problema da entrada de trafego lateral, eu geralmente ficava na primeira. Se acaso estivesse numa das pistas à esquerda, logo que via o primeiro sinal de aviso eu passava para a direita para entrar diretamente no túnel.
Nessa época, mesmo que tivesse pensado no assunto, eu não teria visto nada notável na minha pronta obediência aos sinais. Eu não estava experimentando uma escolha; eu simplesmente achava que as pessoas obedecem aos sinais. Refletindo sobre isso mais tarde, vejo minha obediência num contexto psicológico. Eu era o caçula da família, filho de um professor, um bom menino que não causava problemas, orientado para fazer a coisa certa e se dar bem na vida. Fui educado para ser um cidadão responsável e respeitador da lei. Quebrar as regras estabelecidas, em qualquer nível, não seria o meu caminho.
O problema naquela rodovia era que, enquanto eu permanecia à direita esperando (com paciência ou sem ela) minha vez de atravessar o túnel, eu notava que alguns cidadãos menos conscienciosos continuavam pelas pistas da esquerda o mais possível até serem fisicamente forçados a passar para a direita — e então eles se amontoavam na minha pista, à minha frente. Pior ainda; às vezes eu via pelo retrovisor que algum transgressor psicopata, ao aproximar-se do gargalo, saía da minha pista para as pistas vazias da esquerda, passava por mim acelerado e ganhava uma pequena vantagem antes de precisar voltar para a pista da direita.
Fiquei surpreso com o que essa situação despertou em mim. De início, eu ficava apenas chateado com o espetáculo de outras pessoas que, sem o estorvo de um su-perego apropriado, tiravam proveito de agir errado enquanto eu agia certo. Mas fui ficando cada vez mais ressentido com isso. Minha sensibilidade de caçula à injustiça foi ativada. Eles estavam levando vantagem ao fazer algo que me era proibido.
Eu sentia raiva, não só dos intrometidos como também dos motociclistas da Polícia Rodoviária; eu achava que eles deveriam impedir esse tipo de comportamento em vez de ficar passando multas por excesso de velocidade lá atrás na rodovia. Descobri que eu era espantosamente competitivo. Com freqüência, os agressores dirigiam Porsches ou BMWs, ou então eram cowboys em pequenas pickups que, quando sem carga, são muito velozes. Embora meu sedã seja espaçoso e faça 12 quilômetros por litro, ele decididamente não é uma nave espacial. Inferiorizado e invejoso, eu fantasiava sobre potentes motores e turbos. Incapaz de competir diretamente, eu expressava minha raiva de um modo passivo: tentava impedir que os bandidos cortassem na minha frente. Tornei-me um perito na arte de dirigir pára-choque com pára-choque, que não deixava nenhum espaço para intrusos entrarem. Eu sabia que essa arte me custava a minha embreagem, mas a satisfação de frustrar os ambiciosos valia a pena.
Eu ainda não havia questionado a moralidade da situação. Estava claro que aquelas pessoas nas pistas da esquerda, passando por mim e se atropelando à minha frente, eram bandidos. Minha posição era moralmente correta e, se o mundo fosse justo, os outros se comportariam como eu. O problema é que o mundo não é justo e os outros não se comportavam como eu. Ou melhor, a maior parte dos motoristas se comportava como eu — eu fazia parte da maioria que respeita a lei —, mas esse fato não apagava meus sentimentos em relação aos demais. Minha indignação era justa: se o meu contra-ataque acabou se tornando um tanto repulsivo, eles mereciam ainda pior pelas suas transgressões.
Eu poderia ter evitado esse problema todo saindo dez minutos mais cedo, antes que o engarrafamento se formasse, mas geralmente eu saía de casa no último minuto possível, cheio de sensações de culpa por talvez chegar atrasado à minha primeira consulta do dia. Eu queria atravessar o túnel e não via nenhuma razão para que os outros o atravessassem antes de mim por meio de trapaças. Talvez eu também pensasse em trapacear, mas sentia uma gratificante superioridade moral e uma orgulhosa satisfação comigo mesmo por persistir na virtude e resistir à tentação. Mas, naquelas condições, a virtude custava caro; eu estava perdendo — eu era uma vítima virtuosa.
Acho que aquilo que acabou acontecendo surgiu da combinação simultânea de um atraso maior com a raiva e a inveja acumuladas, o colapso moral e uma certa curiosidade sobre a vida nas pistas de alta velocidade. Uma amanhã passei deliberadamente para a última pista da esquerda e lá fiquei tanto quanto possível. Então passei para a outra pista, ainda na esquerda, e lá permaneci o máximo que me foi possível. Finalmente, entrei na minha pista de sempre e atravessei o túnel.
Não posso dizer que "me senti o máximo", ou algo igualmente simples. Eu tinha sobrepujado o inimigo, mas o inimigo ainda era o inimigo. Eu estava desagradavelmente ciente de estar violando meus próprios princípios por um ganho imediato; eu sabia que tinha "me vendido". Na verdade, eu realmente preferia os cidadãos bem comportados, em cuja pista eu agora me insinuava, e que me encaravam com a mesma justa hostilidade que eu próprio sentia ainda na véspera. Por um lado, eu estava em conflito com o meu novo status de fora-da-lei. Por outro, a sensação de culpa não era tão má assim, E a verdade é que atravessei o túnel bem mais depressa.
A partir daí, aconteceram muitas coisas interessantes. Fiz experiências deliberadas com as quatro pistas, testando-as psicologicamente e vendo como cada uma delas funcionava, como o mundo parecia quando visto a partir de cada perspectiva. Quando não estou conscientemente fazendo experiências, aproximo-me do engarrafamento pela última pista da esquerda porque ela funciona melhor; ela é mais rápida. Quando ajo assim, torno-me membro de uma minoria relativamente pequena. A maioria dos motoristas nem sequer espera pelos sinais que mandam passar para a direita; já lá atrás, eles se colocam nas duas pistas que levam direto ao túnel. Conhecendo o percurso, é possível que eles nunca usem as pistas da esquerda para não precisarem sair delas ao se aproximarem do túnel. Isso é o que eu costumava fazer. Examinando as coisas a partir da minha nova posição de superioridade, isso me parece uma inacreditável restrição a mim mesmo. Como podem existir tantos cidadãos desnecessariamente bons quando está tão claro que é uma vantagem não ser bom?
Na verdade, o comportamento virtuoso dessa maioria moral libera as pistas da esquerda para que possamos praticar nossas sociopatias. Se aquelas quatro pistas fossem utilizadas de modo uniforme, não faria sentido algum ficar "costurando". Os motoristas que já passaram para a direita criam a oportunidade e a tentação para que avancemos o mais possível pela esquerda antes de obedecermos os sinais. Somos os dois lados de uma mesma moeda: eles, os anjos, nós, os demônios, todos complementares e interdependentes. Precisamos que eles sejam bons e nos ofereçam a nossa oportunidade; eles precisam que nós sejamos maus para que possam nos censurar, se sentirem superiores e nos punirem com a exclusão.
Quando brinco de demônio e olho à direita para os motoristas que estou ultrapassando, tenho a consciência de uma sensação de perda, percebo que sacrifiquei algo quando fugi para a liberdade do meu interesse próprio. Não duvido que foi por isso que levei tanto tempo para perder minha virtude. Lembro, com uma certa nostalgia, aquela sensação agradável de comunidade, retidão e auto-estima que eu desfrutava quando ainda era uma ovelha — antes de me transformar num lobo; lembro como eu desprezava aqueles anarquistas depravados que passavam voando à minha esquerda. Mas quando tento recuperar minha pureza moral nas pistas de ovelhas, lembro-me de um adesivo que dizia: "A NOSTALGIA NÃO É MAIS O QUE COSTUMAVA SER." A satisfação da virtude não paga o preço de sermos passados para trás.
Contudo, o mais interessante para mim foi que essa situação acabou por deixar de ser um dilema moral; ela foi despojada de todo vício e virtude. Percebo que esse engarrafamento no túnel é apenas um lugar onde quatro pistas se estreitam em duas; sinto que nada existe de certo ou de errado, de bom ou de mau, na fusão dessas quatro pistas. Antes, quando experimentava esse engarrafamento como uma questão ética, eu estava interpretando, eu estava me projetando. Defini a mim mesmo como a vítima virtuosa; defini os motoristas que me ultrapassavam como "bandidos" — agressivos, egoístas, sem sentimentos comunitários, bem-sucedidos e invejáveis. Agora, quando os motoristas da direita me lançam olhares furiosos no momento em que invado a pista deles, posso avaliar sua raiva a partir da memória da minha própria experiência e, por isso, não fico com raiva quando eles tentam impedir que eu entre na sua frente. Pelo contrário, fico calmo e acho tudo trivial. Mas eles parecem bastante estranhos, transformando num jogo de moralidade uma simples fusão de quatro pistas em duas. O mais divertido é que tento não rir quando eles provam a sua virtude, sua masculinidade e seu patriotismo obrigando-me a entrar atrás deles, porque talvez alguns deles estejam armados.
Parece que não consigo mais projetar aquele filme de guerra sobre essa tela específica. Precisarei encontrar um novo palco onde distinguir os mocinhos dos bandidos; não me sinto nem um mocinho nem um bandido. Preciso de um novo adesivo: FÁCIL NA FUSÃO.
( do livro : AO ENCONTRO DA SOMBRA)

12 de janeiro de 2010



"Não devemos ter medo dos confrontos, pois até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas"
Charles Chaplin

11 de janeiro de 2010

O poder dos patos...


“Certo dia, alguns patos pousaram num lago. A temperatura baixou tanto e tão rapidamente, que o lago congelou. Os patos levantaram vôo e levaram consigo o lago. Dizem que ele está em algum lugar da Geórgia”. ( Tomates Verdes e Fritos)

10 de janeiro de 2010

Leonardo Boff


"Hoje nos encontramos numa nova fase da humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente.
Também os povos originários, os indígenas das várias partes do mundo - eles são cerca de 300 milhões -, participam desse grande concerto dos povos, no qual se incluem as tribos que vivem no Brasil. Todos eles são portadores de uma sabedoria ancestral, que está faltando a quase toda a humanidade, sabedoria necessária para iluminar os graves problemas que coletivamente enfrentamos. Problemas relativos à convivência pacífica entre os povos, à combinação adequada entre trabalho e lazer, à veneração e ao respeito para com a natureza, à integração fraternal e sororal entre todos os seres da criação, vividos como parentes, irmãos e irmãs. Enfim, problemas relativos ao casamento entre o céu e a terra, que confere uma experiência do ser humano com a totalidade das coisas e com a Fonte originária de todo o universo.
Entre as estórias relatadas - centenas e centenas que existem entre os povos indígenas brasileiros - visam ressaltar a contribuição inestimável que eles oferecem à nossa história: na linguagem, nos nomes de cidades, de rios, de montanhas, na culinária, nos costumes cotidianos, na religiosidade difusa do povo e na percepção coletiva acerca das forças misteriosas da natureza. Essa contribuição pode ser útil também a outros povos, habitantes da mesma Maloca Comum, a Terra.
Temos muito que admirar, desfrutar e aprender a partir de toda essa tradição sapiencial. Nossos indígenas não são primitivos, apenas diferentes. Não são incultos, mas civilizados. Não são ultrapassados e sim contemporâneos. São humanos como nós, portadores das mesmas buscas, das mesmas ansiedades e das mesmas esperanças que os homens e as mulheres de nosso tempo e de todos os tempos. Apenas se expressam num dialeto diferente, quem sabe estranho para muito de nós, mas sempre surpreendente e perpassado de observação atenta das coisas da vida e da natureza.
Revisitemos a sabedoria indígena e sonhemos, por um momento, os mesmos sonhos que eles sonharam. Vamos rir, chorar e aprender.. Aprender especialmente como casar o Céu com a Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra".
( Leonardo Boff, 22 de abril de 2002 )

9 de janeiro de 2010

Avatar....a velha e necessária mensagem...


Acabei de ver o filme "Avatar". Adorei ...Linda fotografia, fortes interpretações...Sensibiliza pela destruição da pureza, da beleza...Mas ainda assim me lembrou Pocahontas...(!!!)
Achei extremamente parecido...Tinha até arvores sagradas e sábias...enfim..."nada de novo sob o céu"
Só me traz tristeza e espanto o fato de uma mensagem tão antiga ( não apenas por Pocahontas...)vir com "cara" de novidade...Isso acontece porque não valorizamos o que é essencial...


Vejam só a Pocahontas cantando:
"Se acha que eu sou selvagem

Você viajou bastante, talvez tenha razão
Mas não consigo ver mais selvagem que um ser
Precisa escutar com o coração
Coração...
Se pensa que essa terra lhe pertence
Você tem muito ainda o que aprender
Pois cada planta, pedra, ou criatura
Está viva e tem alma, é um ser"
Bem, isso para mim lembra muito Avatar...eu acho lindo. Mas fico triste e confusa...Essa é a nossa história...É a história de um povo que perdeu contato com seu coração, que se tornou frio e explorador, perdeu a conexão com o sagrado, dentro e fora de si.
Essa é nossa história de cada dia...,de nossa rotina..., trabalhando, comprando, passando o tempo, como se muito tempo tivéssemos...Correndo, correndo às cegas atraz do dinheiro para pagar interminaveis contas que nos trazem benefícios que não temos tempo para usufruir...
E a pressão insustentável para "melhorar" o curriculun, a aparência, o inglês....( lingua dos colonizadores...)
E o "desenvolvimento" que deveria ser "sustentável...é insustentável...para a natureza da Terra, para a natureza do homem...A exploração fere dentro, fere fora...
E me lembrei agora do Renato - o Russo:
"Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente."




E voltando à Avatar, que lembra nosso passado:


Que Grande Mãe nos proteja a todos!
Que os Deuses Antigos possam nos fazer lembrar da sabedoria perdida na noite dos tempos!!
Que Assim Seja!!!

8 de janeiro de 2010

"A trilha do amor é como uma ponte de cabelos 
atravessando um abismo de fogo"
( Irina Tweedie)

5 de janeiro de 2010


"A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai pegar"
Forrest Gump
 

do livro "Conversando com Deus"


"O medo é a energia que restringe, paralisa, retrai, leva-os a fugir e esconder-se, e fere.
O amor é a energia que expande, move, revela, leva-os a ficar e partilhar, e cura.
O medo cobre os seus corpos de roupas, o amor lhes permite ficar nus.
O medo os faz segurar tudo o que têm, o amor dá tudo aos outros.
O medo sufoca, o amor mostra afeição.
O medo oprime, o amor liberta. O medo irrita, o amor acalma.
 O medo critica, o amor regenera. "

4 de janeiro de 2010

Dia Branco


Deusa da noite

Sangrenta e fria
Irmã da lua
Mulher da noite e do dia
Eu vim de longe
Atrás da brisa
Com sete pedras
Bordei a minha camisa
Pra ver a doida das lantejoulas
Dos lábios verdes de purpurina
Dançar na noite nos Quatro Cantos
Com seu vestido de bailarina
Fazer o riso, tremer o medo
Fazer o medo, virar sorriso
Fazer da noite dos Quatro Cantos
Um dia branco feito domingo

Balada Do Louco


Dizem que sou louco por pensar assim

Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

As fotos, figuras, textos, frases visualizadas neste blog, são de autorias diversas. Em alguns casos não foram atribuidos os créditos devidos por ignorância a respeito de sua procedência. Se alguém tiver
alguma objeção ou observação por favor contatar-me.
Namastê























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