Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

17 de julho de 2013

andarilho...




Não posso ver a palavra andarilho que
eu não tenha vontade de dormir debaixo
de uma árvore.
Que eu não tenha vontade de olhar com
espanto, de novo, aquele homem do saco
a passar como um rei de andrajos nos
arruados de minha aldeia.
E tem mais: as andorinhas,
pelo que sei, consideram os andarilhos
Como árvore.
( Manoel de Barros)

FICA PROIBIDO

 
 É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
(Alfredo Cuervo Barrero) 

13 de julho de 2013

A origem do mundo

A guerra civil da Espanha tinha terminado fazia poucos anos,
e a cruz e a espada reinavam sobre as ruínas da República.
Um dos vencidos,um operário anarquista,recém-saído da cadeia,procurava trabalho.Virava céu e terra,em vão.
Não havia trabalho para um comuna.Todo mundo fechava a cara,
sacudia os ombros ou virava as costas.Não se entendia com ninguém,
ninguém o escutava.O vinho era o único amigo que sobrava.
Pelas noites, na frente dos pratos vazios, suportava sem dizer nada, as 
queixas de sua esposa beata, mulher de missa diária, enquanto o filho, um menino pequeno, recitava o catecismo para ele ouvir.
Muito tempo depois, Josep Verdura, o filho daquele operário maldito me contou. Contou em Barcelona,quando cheguei ao exílio.
Contou: ele era um menino desesperado que queria salvar o pai da condenação eterna e aquele ateu, aquele teimoso, não entendia.
Mas papai - disse Josep chorando - se Deus não existe, quem fez o mundo?
-Bobo - disse o operário, cabisbaixo, quase segredando.Quem fez o mundo fomos nós, os pedreiros."
O livro dos abraços - Eduardo Galeano

2 de julho de 2013

O MENINO DAS ENCRUZILHADAS...


O Rabi Ioshua, filho de Hanina, disse:
"Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim...
Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada.
Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade.
Ele respondeu: 'Este é o caminho curto e longo
e este o longo e curto'.
Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos
intrasponíveis de jardins e pomares.
Ao retornar, reclamei:
'Meu filho, você não me disse que era o caminho curto?'
O menino então respondeu: 'Porém lhe disse que era longo'.
Na trilha da vida, a "mesmice" muitas vezes é o caminho curto, o mais simples,
e que tem custos mais elevados (longo).
Ir pelo caminho mais simples e mais curto é uma lei evolucionista.
Certamente os corpos se movem na direção mais imediata e curta.
Os galhos buscam a luz e o animal a água,
mas sua inteligência interna, sua alma,
está atenta a longas modificações.
A tentativa de sobrevivência acontece nos campos de batalha
do mundo curto e do mundo longo.
As chances de extinção dos que percorrem caminhos curtos,
que são longos, é muito grande.
As espécies sobreviventes são aquelas que souberam
fazer opções pelo longo caminho curto...
Em nosso dia-a-dia sabemos muito bem quais são os processos curtos e quais os longos.
Fazemos também nossas opções que optam pelo curto.
Mas nossos mecanismos de detectar se são "curtos longos"
ou "longos curtos" existem e sempre estão aí
para apontar novos inícios,
por exemplo, de relações de trabalho, amor ou amizade.
A coragem está em ouvir o menino das encruzilhadas.
Ele, com certeza alerta para ambas as possibilidades de caminho.
Não se assustem com as parábolas que falam de demônios dissimulados
nas encruzilhadas.
Os demônios das encruzilhadas querem sempre apontar
os caminhos mais "curtos".
Ninguém que alerte para o fato de que os "curtos podem ser longos"
e os "longos podem ser curtos", é da ordem demoniáca.
Afinal, as encruzilhadas são de grande importância.
Não são meras opções de acesso, mas de sobrevivência,
e o curto caminho longo pode não levar a lugar algum...
Se você estiver diante de uma encruzilhada,
lembre-se do menino e preste atenção para não ser seduzido
por um caminho curto...
Lembre-se de que a paz está primeiro com quem vem de longe...

(Nilton Bonder, A Alma Imoral, Rio de Janeiro, Rocco, 1998)

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

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Namastê























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