Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

30 de julho de 2009

por : Rosana Braga - sobre a insatisfação feminina







Por mais que já tenha refletido sobre esta aparente insatisfação das mulheres, por mais que já tenha observado os meus próprios paradoxos e até admita que nem nós mesmas conseguimos nos entender, muitas vezes, tenho de tentar esclarecer: satisfazer-nos é possível! Queremos e podemos ser satisfeitas e isso é mais fácil do que tem acreditado alguns homens. E quanto a nos entender, pra que? Desistam desta idéia. Não nos entendam, não tentem traduzir nossas contradições ou fazer contas pra saber se hoje estaremos ou não de bom-humor.Basta que nos olhem com determinação e nos façam um elogio como quem sente a nossa alma. Adentre em nosso corpo como quem busca nossos sonhos, e depois nos seduza daquele jeito que vocês tão bem sabem fazer... e nos sentiremos desejadas; toda a satisfação terá nos invadido.
Mulher deseja ser amada e não ser entendida. Deseja ter a sensação de que, dentre tantas outras, é única.
Creio que o autor que mais se aproximou da alma feminina tenha sido Saint Exupéry, talvez despretensiosamente, enquanto escrevia “O Pequeno Príncipe”. Quem já leu, certamente vai se lembrar da rosa, tal qual um coração de mulher...
“- Ah! Eu acabo de despertar. Desculpa. Estou ainda toda despenteada.
O principezinho, então, não pôde conter o seu espanto:- Como és bonita!
- Não é? Respondeu a flor docemente. Nasci ao mesmo tempo em que o sol...
- O principezinho percebeu logo que a flor não era modesta. Mas era tão comovente!
- Creio que é hora do almoço, acrescentou ela. Tu poderias cuidar de mim?”...
E a convivência entre eles foi intrigando o Pequeno Príncipe:“É bem complicada essa flor...” pensava ele.
Mas quando saiu de seu Planeta em busca de respostas sobre a vida e o amor, um dia confessou ao amigo, na Terra: “- Não a devia ter escutado. Não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar seu perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. ... Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar”.
Depois de se decepcionar por descobrir tantas rosas iguais àquela que deixara em seu planeta, acreditando ser a única em todo o Universo, ele aprendeu sobre cativar: “se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol”.
E mais do que aprender a amá-la, ele aprendeu que uma flor, assim como uma mulher, pode ser única, ainda que existam milhares iguais a ela. E, então, diante de um jardim, amou enfim a sua flor:“- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém... Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que matei as larvas. Foi a ela que escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa”.
Por isso, não leve tão a sério o que dizemos. Mais do que nossas queixas e complicações, é o que fazemos que nos torna merecedoras do seu amor...

28 de julho de 2009



"Me dê sua mão. Abra, depois feche. Sinta. O feno-grego duro como pedra está bem fechado no centro da palma de sua mão, cor de areia do fundo de um riacho velho. Mas ponha-o na água, e ele se expande, livre. Morda os caroços inchados e prove sua doçura amarga. Sabor de algas marinhas em um lugar selvagem, guincho de gansos cinzentos. O feno-grego é a especiaria da terça-feira, quando o ar é verde como o musgo depois da chuva. Especiaria para os dias em que eu quero ficar encolhida sob uma colcha pespontada com folhas de peepul e contar histórias como na ilha. Só que aqui para quem eu as contaria? Feno-grego, pedi tua ajuda quando Ratna veio me procurar ardendo por causa do veneno no ventre, legado da vagabundagem do marido. E quando Ramaswamy trocou a mulher com quem estava casado há vinte anos por um prazer mais novo. Ouça a canção do feno-grego:Tenho o sabor fresco da brisa do rio, plantando desejo em terreno que ficou estéril.(...)Eu, feno-grego, que faço o corpo ficar doce de novo para o amor."

.( Senhora Das Especiarias .p.59)

26 de julho de 2009

Baudelaire


EMBRIAGAI-VOS
É necessário estar sempre bêbedo.

Tudo se reduz a isso; eis o único problema.

Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,que vos abate

e vos faz pender para a terra,é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê?

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio

,na verde relva de um fosso,

na desolada solidão do vosso quarto, despertardes,

com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,

a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,a tudo o que canta,

a tudo o que fala,perguntai-lhes que horas são;e o vento,

e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,hão de vos responder:

É hora de se embriagar!

Para não serdes os martirizados escravos do Tempo,

embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

( Charles Baudelaire)

25 de julho de 2009


Confie apesar de todas as dúvidas

Buda diz: Faça o que você tem de fazer resolutamente... Mas, por resolução, ele não quer dizer vontade, como o significado comum nos dicionários. Buda é obrigado a usar as palavras de vocês, mas ele dá um novo significado às suas palavras. Por ‘resolução’ ele quer dizer “a partir de um coração decidido” - não a partir da força de vontade, mas a partir de um coração decidido. E lembre-se: ele enfatiza a palavra ‘coração’, não a mente. Força de vontade faz parte da mente. Um coração decidido é um coração sem problemas, um coração que não mais está dividido, um coração que chegou a um estado de tranqüilidade, de silêncio. Eis o que ele chama de “um coração decidido”.“Faça o que tem de fazer resolutamente, com todo o seu coração”. Lembre-se da ênfase no coração. A mente jamais pode ser uma - por sua própria natureza ela é muitas. E o coração é sempre um - pela sua própria natureza ele não pode ser muitos. Você não pode ter muitos corações, mas você pode ter muitas mentes. Por quê? Porque a mente vive na dúvida e o coração vive no amor. A mente vive na dúvida e o coração vive na confiança. O coração sabe como confiar - é a confiança que o torna um. Quando você confia, de repente você fica centrado.Daí a significância da confiança. Não importa se sua confiança é na pessoa certa ou não. Não importa se sua confiança será explorada ou não. Não importa se você será enganado por causa de sua confiança ou não. Há toda a possibilidade de você ser enganado - o mundo é cheio de enganadores. O que importa é que você confiou. É a partir de sua confiança que você se torna íntegro, o que é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Não é uma questão de que primeiro você tem de estar certo se a pessoa é digna de confiança ou não. Como você estará certo? E quem vai pesquisar?Será a mente, e a mente sabe somente como duvidar. Ela duvidará. Ela duvidará mesmo de um homem como Cristo ou Buda. Ela não pode nem ajudar a ela mesma. Assim, lembre-se: confiar não quer dizer que primeiro você tem de pesquisar, que primeiro você tem de deixar as coisas certas, garantidas e, então, confiar. Isso não é confiança, isso realmente é dúvida - como você esgotou as possibilidades de duvidar, daí você confia. Se uma outra possibilidade de dúvida surgir, você duvidará novamente. Confie apesar de todas as dúvidas, apesar do que o homem é ou do que o homem vá fazer. Isso é do coração, vem do amor.Quando você confia e ama com um coração decidido, isso traz transformação. Então, você nunca hesita. A hesitação simplesmente o mantém aos pedaços.Dando um salto quântico, sem nenhuma hesitação ou apesar de todas as hesitações, você se torna íntegro. A hesitação desaparece e você se torna um. E tornar-se um significa libertar-se; libertar-se da própria multidão estúpida que existe dentro de você, libertar-se de seus pensamentos, desejos e memórias, libertar-se da própria mente.
Osho, The Dhammapada, #9

23 de julho de 2009

Martha Medeiros


" Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos,um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia ."

8 de julho de 2009

Mula sem Cabeça: aviso aos descabeçados...

 
(...) E como poderia ter cabeça está mula..., veja que uma mula é uma idéia hibrida...
Nada natural, pois além de ter fama de teimosa, é ainda uma descabeçada...
Simbolicamente falando, claro que a lenda da "mula sem cabeça", foi inventada com o propósito de amendrontar as moçoilas, que, por ventura, tivessem o desplante de resolver namorar o padre...Já que é pecado "tentar" o padre, uma severa, porém adequada punição deveria recair sobre a desmiolada...Óbvio o castigo, para quem já não tinha juízo...Tudo referente a cabeça, que a mocinha, com certeza perdeu em algum lugar..., ou será que seus miolos foram consumidos pelo fogo, instigado pelo proibido de seduzir o padre???
Enfim, mais uma história de pecado e castigo. Como tantas lendas que em algum momento alguém inventou para manipular o povo.
Gi

6 de julho de 2009

Mula sem cabeça


 


Nos pequenos povoados ou cidades, onde existam casas rodeando uma igreja, em noites escuras, pode haver aparições da Mula-Sem-Cabeça. Também se alguém passar correndo diante de uma cruz à meia-noite, ela aparece. Dizem que é uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Toda passagem de quinta para sexta feira ela vai numa encruzilhada e ali se transforma na besta.
Então, ela vai percorrer sete povoados, ao longo daquela noite, e se encontrar alguém chupa seus olhos, unhas e dedos. Apesar do nome, Mula-Sem-Cabeça, na verdade, de acordo com quem já a viu, ela aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e boca, onde tem freios de ferro.
Nas noites que ela sai, ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. Às vezes, parece chorar como se fosse uma pessoa. Ao ver a Mula,deve-se deitar de bruços no chão e esconder Unhas e Dentes para não ser atacado.
Se alguém, com muita coragem, tirar os freios de sua boca, o encanto será desfeito e a Mula-Sem-Cabeça, voltará a ser gente, ficando livre da maldição que a castiga, para sempre
Nomes comuns: Burrinha do Padre, Burrinha, Mula Preta, Cavalo-sem-cabeça, Padre-sem-cabeça, Malora (México), Origem Provável: É um mito que já existia no Brasil colônia. Apesar de ser comum em todo Brasil, variando um pouco entre as regiões, é um mito muito forte entre Goiás e Mato Grosso. Mesmo assim não é exclusivo do Brasil, existindo versões muito semelhantes em alguns países Hispânicos. Conforme a região, a forma de quebrar o encanto da Mula, pode variar. Há casos onde para evitar que sua amante pegue a maldição, o padre deve excomungá-la antes de celebrar a missa. Também, basta um leve ferimento feito com alfinete ou outro objeto, o importante é que saia sangue, para que o encanto se quebre. Assim, a Mula se transforma outra vez em mulher e aparece completamente nua. Em Santa Catarina, para saber se uma mulher é amante do Padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em fita com o nome dela, e se o ovo cozer e a fita não queimar, ela é. É importante notar que também, algumas vezes, o próprio Padre é que é amaldiçoado. Nesse caso ele vira um Padre-sem-Cabeça, e sai assustando as pessoas, ora a pé, ora montado em um cavalo do outro mundo. Há uma lenda Norte americana, O Cavaleiro sem Cabeça, que lembra muito esta variação. Algumas vezes a Mula, pode ser um animal negro com a marca de uma cruz branca gravada no pelo. Pode ou não ter cabeça, mas o que se sabe de concreto é que a Mula, é mesmo uma amante de Padre.

4 de julho de 2009


Ela teimou e enfrentou o mundo

Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminavae a noite caminhava assim

E como um par o vento e a madrugada iluminavam

A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança

Que entra na roda, a noite tá no fim

Ela valsando só na madrugada

Se julgando amada ao som dos bandolins

( Oswaldo Montenegro)

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

As fotos, figuras, textos, frases visualizadas neste blog, são de autorias diversas. Em alguns casos não foram atribuidos os créditos devidos por ignorância a respeito de sua procedência. Se alguém tiver
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Namastê























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