Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

7 de janeiro de 2015

a função do amor é fabricar desconhecimento


a função do amor é fabricar desconhecimento

(o conhecido não tem desejo;mas todo o amor é desejar)
embora se viva às avessas,o idêntico sufoque o uno
a verdade se confunda com o facto,os peixes se gabem de pescar

e os homens sejam apanhados pelos vermes(o amor pode não se
importar
se o tempo troteia,a luz declina,os limites vergam
nem se maravilhar se um pensamento pesa como uma estrela
--- o medo tem morte menor; e viverá menos quando a morte acabar)

que afortunados são os amantes(cujos seres se submetem
ao que esteja para ser descoberto)
cujo ignorante cada respirar se atreve a esconder
mais do que a mais fabulosa sabedoria teme ver

(que riem e choram)que sonham,criam e matam
enquanto o todo se move;e cada parte permanece quieta...

Livrodepoemas, de E.E. Cummings
tradução de Cecília Rego Pinheiro
Assírio & Alvim, 1998, pp 125

4 de janeiro de 2015

Mulheres



Por muito tempo estivemos
E ainda estamos
Mas por muito tempo
Estivemos muito mais
Impedidas de ir e vir
Impedidas de ler
Impedidas de escrever
Impedidas de sonhar com
Ganhos e afazeres
Impedidas de saber o mundo
Por um viés que nos foi tirado
Mas havia outro saber e
Por este
Fomos e voltamos
Sobrou-nos o território vasto do secreto
Lemos mãos, ervas, cartas desenhadas
Balançar de árvores, sons de ventos, pulos
De gatos, cor de ágatas, vísceras de aves
Esfumaçar de panelas, e intuições de perigos
Sonhamos todos os sonhos que se escondem
E desenvolvemos as grandes habilidades
Dos oprimidos
Não há fogueiras que nos contenham.
Adriane Garcia

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

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Namastê























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