Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

19 de março de 2010

”Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a cada dele, e é.trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela -apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco, eu beijo o seu focinho.Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito.a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave.aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome.ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai.se ele fareja e sente um corpo-casa livre, ele trota sem ruídos e ai.aviso tambem que nao se deve temer seu relinchar:a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera,a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez. “
( Clarice Lispector)

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Namastê























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