Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

11 de março de 2010

A sabedoria das formigas


Quando eu era criança costumava brincar com as formigas.
Certa vez tive um formigueiro inteirinho só para mim... Claro que era um brinquedo tremendamente intrigante e indomável... Eu protegia a entrada do meu formigueiro para que nele não entrasse a água da chuva, espalhava ao seu redor farelo de pão para que as pequenas criaturas não tivessem que procurar comida muito longe e procurava ensinar-lhes o caminho... Quem já tentou ensinar o “melhor” caminho para formigas levanta a mão!?! Bem, quem o fez, sabe da terrível frustração desta empreitada... Enfim, apesar de ser muito interessante o formigueiro era muito irritante..., o vento levava para longe os “telhados” que eu criava, elas rejeitavam incompreensivelmente o alimento que lhes oferecia, preferindo comer patas de grilos e quando eu tentava ensinar-lhes um caminho mais curto e seguro, suas intermináveis filas se desmanchavam e elas corriam para todos os lados, para logo em seguida voltar ao mesmo caminho, longo e perigoso...
O tempo passou e hoje eu não brinco mais com as formigas, mas pela eventual irritação com minhas próprias emoções posso traçar um paralelo entre estas e aquelas... Também consigo perceber uma relação entre meus pacientes e “a dona do formigueiro”.
O problema parece ser realmente intenso quando as emoções (assim como as formigas) insistem em expor o ego a situações vexatórias. As pessoas têm frases prontas cheias de coerência para tais situações, por exemplo: ”mulher não corre atrás de homem”, “onde está o seu amor-próprio”, “um amor se cura com outro”, etc. O ego grita o tempo inteiro, não podemos aceitar nossa imensa vulnerabilidade e impotência diante das emoções. Somos muito infantis emocionalmente falando e não conseguimos perceber que estamos vulneráveis, não ao “outro”, mas sim a forças internas que não compreendemos. Se soubesse o que agora eu sei, teria observado melhor “meu formigueiro”... Talvez tivesse conseguido perceber que as formigas constroem suas “casas” de forma que a água não entre com facilidade, que a comida que eu achava perfeita poderia fazer-lhes mau, que o caminho que eu achava mais longo, era uma velha estrada marcada com fluidos orientadores... Se eu soubesse teria observado mais e interferido menos, desta forma talvez existisse uma interação... Voltando a falar das emoções, seria bom cultivar o “silêncio” tempo suficiente para aprender a ouvir o canto da natureza, a sabedoria instintiva do coração. Seria bom calar o orgulho prepotente, que insiste em tentar encaixar em paradigmas pré-estabelecidos o mundo selvagem e livre das emoções. Não se trata de dar apoio aos vícios e compulsões, mas sim em entregar-se com plenitude ao sentir. Trata-se de mergulhar profundamente neste imenso manancial psíquico pleno de sabedoria , capaz de nos levar a realização do nosso projeto de existir de forma singular.
(gi)

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