Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

2 de julho de 2013

O MENINO DAS ENCRUZILHADAS...


O Rabi Ioshua, filho de Hanina, disse:
"Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim...
Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada.
Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade.
Ele respondeu: 'Este é o caminho curto e longo
e este o longo e curto'.
Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos
intrasponíveis de jardins e pomares.
Ao retornar, reclamei:
'Meu filho, você não me disse que era o caminho curto?'
O menino então respondeu: 'Porém lhe disse que era longo'.
Na trilha da vida, a "mesmice" muitas vezes é o caminho curto, o mais simples,
e que tem custos mais elevados (longo).
Ir pelo caminho mais simples e mais curto é uma lei evolucionista.
Certamente os corpos se movem na direção mais imediata e curta.
Os galhos buscam a luz e o animal a água,
mas sua inteligência interna, sua alma,
está atenta a longas modificações.
A tentativa de sobrevivência acontece nos campos de batalha
do mundo curto e do mundo longo.
As chances de extinção dos que percorrem caminhos curtos,
que são longos, é muito grande.
As espécies sobreviventes são aquelas que souberam
fazer opções pelo longo caminho curto...
Em nosso dia-a-dia sabemos muito bem quais são os processos curtos e quais os longos.
Fazemos também nossas opções que optam pelo curto.
Mas nossos mecanismos de detectar se são "curtos longos"
ou "longos curtos" existem e sempre estão aí
para apontar novos inícios,
por exemplo, de relações de trabalho, amor ou amizade.
A coragem está em ouvir o menino das encruzilhadas.
Ele, com certeza alerta para ambas as possibilidades de caminho.
Não se assustem com as parábolas que falam de demônios dissimulados
nas encruzilhadas.
Os demônios das encruzilhadas querem sempre apontar
os caminhos mais "curtos".
Ninguém que alerte para o fato de que os "curtos podem ser longos"
e os "longos podem ser curtos", é da ordem demoniáca.
Afinal, as encruzilhadas são de grande importância.
Não são meras opções de acesso, mas de sobrevivência,
e o curto caminho longo pode não levar a lugar algum...
Se você estiver diante de uma encruzilhada,
lembre-se do menino e preste atenção para não ser seduzido
por um caminho curto...
Lembre-se de que a paz está primeiro com quem vem de longe...

(Nilton Bonder, A Alma Imoral, Rio de Janeiro, Rocco, 1998)

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Namastê























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