
Há muito tempo atrás, quando eu era bem pequena – bem menor do que sou agora..., fui com meus pais e alguns amigos deles a um passeio em Panorama. Acontece que viajávamos de trem, naquela época poucos tinham carro e viagens de ônibus eram muito mais dispendiosas. Na minha perspectiva infantil, os trens eram a coisa mais poderosa, imensa e venturosa possível... e escorregavam em seus trilhos pelo mundo inteiro...,viabilizando novas aventuras e descobertas...Portanto, enorme foi minha surpresa ao chegar próximo de Panorama, ouvir do funcionário da ferrovia – em seu brado característico:
“Paaanoraama”..., “Fiiim da linha”!!!
“Como assim "fim-da-linha", mãe!?! Eu estava chocada, tão chocada que quis ver onde terminavam os trilhos. Mas me explicaram que era o fim dos trilhos e não o fim dos caminhos....
Com o passar do tempo aprendi que por mais encantada que seja a viagem, existe sempre o “fim-da-linha”. Muitas vezes o nosso apego nos faz tentar encontrar culpados, ora somos nós, ora são os outros...Existe em nós imensa dificuldade de aceitar os ciclos e isso se deve a falta de conexão com os processos naturais...A natureza é plenamente consciente do ciclo vida-morte-vida. Aquilo que morre é matéria para aquilo que nasce...Não há culpados, não há erros, há o continuo fluir dos caminhos....Quando chegarmos ao “fim-da-linha” é hora de olhar para traz, com profunda gratidão e reconhecer a beleza de tudo que vivemos. E depois caminhar, conscientes de que se findam os trilhos, não os caminhos....
(gi)