Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

10 de março de 2011

tolstoi


Actualmente,
tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar,
apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas 
as funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm
dela é sempre a mesma - um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em
nada difere da escravatura. A escravatura mais não é do que a 
exploração por uns do trabalho forçado da maioria. Assim, para que deixe
de haver escravatura é necessário que os homens cessem de desejar 
usufruir o trabalho forçado de outrem e considerem semelhante coisa como
um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma exterior da 
escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura está 
abolida mas não vêem, não querem ver que ela continua a existir porque 
as pessoas procedem sempre de maneira idêntica e consideram bom e 
equitativo aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso é julgado bom,
torna-se inveitável que apareçam homens mais fortes ou mais astutos 
dispostos a passar à acção. A escravatura da mulher reside unicamente no
facto de os homens desejarem e julgarem bom utilizá-la como instrumento
de prazer. Hoje em dia, emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos 
iguais aos do homem, mas continua-se a considerá-la como um instrumento 
de prazer, a educá-la nesse sentido desde a infância e por meio da 
opinião pública. Por isso ela continua uma escrava, humilhada, 
pervertida, e o homem mantém-se um corruptor possuidor de escravos.


Leon Tolstoi, in 'Sonata a Kreutzer'

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Namastê























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