Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

3 de fevereiro de 2010

"Pássaro cabeça-de-vento"

Era uma vez uma índia muito infeliz no casamento por conta ser ser o seu marido rude, insensível e incapaz de qualquer ato de carinho. No entanto, o tal marido fazia juras de amor eterno e parecia feliz por tê-la a seu lado. Dia após dia essa mulher se sentia cada vez mais solitária e oprimida, no fundo de seu íntimo sabia que seria quase impossível livrar-se facilmente daquela situação, sobretuto devido aos costumes muito rígidos de sua aldeia. Um dia, depois de ter reunido todas as suas forças, acabou contando o que sentia e a vontade que tinha de ir embora. O marido surpreso com o relato e coragem de sua mulher,tomou um susto. De pronto não concordou, e sentenciou que jamais iria deixar que isso acontecesse. Uma noite porém, a mulher fez uma descoberta fascinante: depois que o marido pegava no sono, ela podia deixar o corpo na cama - ao lado dele - e sair com a cabeça a voar. Dormindo, ele passaria a mão no seu corpo e sentiria que estava ao seu lado deitada. Então, todas as noites, a cabeça da índia voava por toda a floresta, conhecendo lugares e pessoas incríveis. E assim foi por um bom tempo: a cabeça saía para passear sozinha, longe da opressão e do mau humor de seu esposo. Tudo ia mais ou menos bem, até que numa dessas noites a cabeça voou longe demais e não conseguiu encontrar o caminho de volta. Desesperada, a cabeça ficou perdida na floresta, sem saber o rumo de casa. Ao amanhecer, o marido se deu conta que apenas o corpo da mulher repousava ao seu lado. Ficou furioso. Não podia aceitar aquela situação humilhante e como só lhe restava o corpo, resolveu castigá-lo e o surrou até a morte. Não satisfeito, resolveu também esquartejá-lo, queimando os pedaços e jogando as cinzas no rio.  E o que aconteceu com a cabeça ?
Muito comovido com a situação, o deus Tupã para não ver aquela cabeça vagando perdida pela floresta, transformou-a no "pássaro-cabeça-de-vento". E foi assim que este pássaro surgiu na Terra.
Esta ave vive por ai e traz consigo um grande ar de tristeza, mas no fundo tem um quê de felicidade... pois é L I V R E !

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Namastê























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