Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

10 de setembro de 2012

Castaneda

 
Sempre que terminamos de falar conosco, o mundo está sempre como devia ser. Nós o renovamos, o animamos com vida, o mantemos com nossa conversa interna. Não só isso, mas nós também escolhemos nossos caminhos, ao conversarmos conosco. Assim, repetimos as mesmas escolhas várias vezes até o dia de nossa morte, pois ficamos repetindo a mesma conversa interna toda vida, até morrermos. Um guerreiro sabe disso e procura parar de falar. Esse é o último item que você tem de aprender, se quiser viver como guerreiro.
— Como posso deixar de conversar comigo mesmo?
— Antes de tudo, tem de usar os ouvidos para aliviarem um pouco a carga de seus olhos. Usamos os olhos para julgar o mundo desde o dia em que nascemos. Falamos com os outros e conosco, sobretudo sobre o que vemos. Um guerreiro sabe disso e escuta o mundo; escuta os sons do mundo.
Guardei minhas notas. Dom Juan riu e disse que não queria que eu fizesse uma coisa forçada, que escutar os sons do mundo tinha de ser feito harmoniosamente e com muita paciência.
— Um guerreiro sabe o que o mundo se modificará assim que ele pára de conversar consigo — disse ele — e deve estar preparado para esse abalo monumental.
— O que quer dizer, Dom Juan?
— O mundo é assim e assado, e tal e tal, só porque nos dizemos que é dessa maneira. Se pararmos de nos dizer que o mundo é tal e tal, o mundo deixará de ser tal e tal. Neste momento, não creio que você esteja pronto para esse golpe monumental, e, portanto, deve começar lentamente a desfazer o mundo.
— Não o compreendo mesmo!
— Seu problema é que confunde o mundo com o que as pessoas fazem. Ainda nisso, não é o único. Todos nós fazemos isso. As coisas que as pessoas fazem são os escudos contra as forças que nos cercam; o que fazem como pessoas nos dá conforto e nos faz sentir seguros; o que as pessoas fazem é muito importante em si, mas apenas como escudo. Nunca aprendemos que as coisas que fazemos como pessoas são apenas escudos e deixamos que elas dominem e transtornem nossas vidas. Na verdade, eu diria que, para a humanidade, aquilo que as pessoas fazem é maior e mais importante do que o próprio mundo.

— O que é que você chama de mundo?
— O mundo é tudo o que está encerrado aqui — disse ele, pisando com força no chão. — A vida, a morte, pessoas, aliados, e tudo o mais que nos cerca. O mundo é incompreensível. Nunca o compreenderemos; nunca desvendaremos seus segredos. Assim temos de tratá-lo como ele é, um simples mistério!
“Mas o homem comum não faz isso. O mundo nunca é mistério para ele e, quando ele chega à velhice, está convencido de que não tem mais nada por que viver. Um velho não esgotou o mundo. Só esgotou o que as pessoas fazem. Mas, era sua estúpida confusão, acredita que o mundo não tem mais mistérios para ele. Que preço triste para pagar por nossos escudos!”.
“Um guerreiro sabe dessa confusão e aprende a tratar as coisas direito. As coisas que as pessoas fazem não podem, de jeito nenhum, ser mais importantes do que o mundo. É assim o guerreiro trata o mundo como um mistério infindável e o que as pessoas fazem como uma imensa loucura.”

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

As fotos, figuras, textos, frases visualizadas neste blog, são de autorias diversas. Em alguns casos não foram atribuidos os créditos devidos por ignorância a respeito de sua procedência. Se alguém tiver
alguma objeção ou observação por favor contatar-me.
Namastê























CURRENT MOON