Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

21 de junho de 2010

Sagrado Feminino

"Estudos arqueológicos feitos a partir da 2ª Guerra Mundial, revelam que no passado remoto existiam culturas pré-patriarcais nas quais o princípio feminino ainda não era subserviente, ao masculino (peças encontradas na Turquia datam aproximadamente 5500 a.C.) Homero fala sobre esse período primitivo mais pacífico que vem sendo revelado pela pá arqueológica. Ele escreve sobre uma era na qual essa terra era habitada por uma raça dourada que “cultivava os campos pacificamente” antes que uma raça menor trouxesse com ela Ares, Deus da guerra. (RIANE, 1997, p.20)
Ricas evidências têm sido produzidas pelas escavações em sítios importantes como Çatal Hüyük e Hacilar na Turquia (o maior sitio neolítico já escavado) e o que a conhecida arqueóloga da UCLA. Marija Gimbutas, chama de civilizações da Velha Europa nos Bascas e na Grécia (que milhares de anos antes da Suméria, tinham até mesmo uma escrita, que Gimbutas e seu ex- aluno Shaw Winn estão tentando decifrar e que o cientista Charles Musés relacionou aos fosfenos – imagens primordiais do cérebro) (RIANE, 1997, p.20)
“Nos grupos matricêntricos, não havia competitividade, e sim solidariedade, não havia uma estrutura social hierárquica, centralizada e autoritária, nem uma sociedade desigual. Havia rodízio de liderança, a decisão era dividida entre todos, não havia estratificação sexual nem social”. (MURARO, 1996, p.175).
Ao contrário do que nos tem sido ensinado sobre o Neolítico, as primeiras civilizações não eram predominantemente masculinas e violentas, essas geralmente eram sociedades pacíficas que negociavam extensivamente com os vizinhos ao invés de matarem ou saquearem para adquirir riquezas. Eram sociedades altamente criativas, as mulheres ocupavam importantes posições sociais não havendo sinais de grandes diferenças baseadas no gênero.
Segundo Riane Eisler, isso não quer dizer que estas sociedades neolíticas fossem utopias ideais. Porém, ao contrário das nossas sociedades, elas não eram belicosas. Não eram sociedades nas quais as mulheres fossem subordinadas aos homens e não viam a nossa Terra como um objeto a ser explorado e dominado, já que o mundo era visto como uma grande mãe: uma entidade viva que, tanto nas suas manifestações temporais quanto espirituais, cria e nutre todas as formas de vida.
Neste período da história, segundo Joseph Campbell, matar tinha um enorme significado, estes povos ocuparam-se com o mundo vegetal, e até mesmo a colheita das plantas era considerada uma matança. A morte, portanto de um homem ou animal, assumia uma grande posição de destaque na visão global do mundo nesta esfera cultural. (CAMPLBELL, 1992, p 151).
Segundo Rose Marie Muraro, apenas 27% destas culturas eram matricêntricas, sendo que as demais eram mistas, porém tendiam ainda a serem pacificas em sua maioria, como podemos ver até os dias atuais na maioria das tribos indígenas brasileiras. No entanto a mulher e consequentemente, os valores inerentes ao feminino, eram amplamente respeitados. Embora isso não signifique que a violência não estava presente nas culturas primitivas."
(Trecho do meu TCC sobre Violência e Bullying)
Referências do trecho :
CAMPBELL, Joseph; EISLER, Riane; GIMBUTAS Marija; MUSÉS, Charles. Todos os nomes da deusa. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997. p 18 - 20.
CAMPLBELL Joseph. As máscaras de Deus – Mitologia primitiva – 3° Edição, São Paulo: Palas Atenas 1992. p 151.
EISLER, Riane – O cálice e a espada – Rio de Janeiro: Imago, 1989. p 83; p 105.
CHAUI, Marilena. Convite a Filosofia. São Paulo: Brasiliense, 2000. p 417.

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