Era uma vez...

E como encontraram
Tal qual encontrei
Assim me contaram
Assim vos contei...

21 de outubro de 2009

Nárnia



"Aqui não tem nada! - disse Pedro, e saíram todos da sala.

Todos menos Lúcia. Para ela, valia a pena tentar abrir a porta do guarda-roupa, mesmo tendo quase certeza de que estava fechada à chave. Ficou assim muito admirada ao ver que se abriu facilmente, deixando cair duas bolinhas de naftalina.
Lá dentro viu dependurados compridos casacos de peles. Lúcia gostava muito do cheiro e do contato das peles. Pulou para dentro e se meteu entre os casacos, deixando que eles lhe afagassem o rosto. Não fechou a porta, naturalmente: sabia muito bem que seria uma tolice fechar-se dentro de um guarda-roupa. Foi avançando cada vez mais e descobriu que havia uma segunda fila de casacos pendurada atrás da primeira. Ali já estava meio escuro, e ela estendia os braços, para não bater com a cara no fundo do móvel. Deu mais uns passos, esperando sempre tocar no fundo com as pontas dos dedos. Mas nada encontrava.
“Deve ser um guarda-roupa colossal!”, pensou Lúcia, avançando ainda mais. De repente notou que estava pisando qualquer coisa que se desfazia debaixo de seus pés. Seriam outras bolinhas de naftalina? Abaixou-se para examinar com as mãos. Em vez de achar o fundo liso e duro do guarda-roupa, encontrou uma coisa macia e fria, que se esfarelava nos dedos. “É muito estranho”, pensou, e deu mais um ou dois passos.
O que agora lhe roçava o rosto e as mãos não eram mais as peles macias, mas algo duro, áspero e que espetava.
- Ora essa! Parecem ramos de árvores!"

Este é o trecho do livro Crônicas de Nárnia, onde Lúcia, uma garotinha cheia de luz encontra no guarda-roupa a passagem para Nàrnia...Eu sempre acreditei que este era a grande moral desta estória...Acreditar que existem mundos encantados dentro de guarda-roupas...Acreditar que o mundo pode ser um lugar bom para se viver, que os seres humanos podem ser boas criaturas de se conviver, acreditar que podemos ser mais leves, mais conscientes, mais amorosos...
Correr o risco de sonhar com a felicidade individual e coletiva...Entendendo que este não é um estado congelado, mas sim dinâmico, vivo, intenso, pleno de confiança...

(gi)

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Namastê























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