Era uma vez...


"Em um tempo muito, muito distante, quando a Deusa caminhava sobre a Terra e todas as coisas eram sagradas...
Nas noites encantadas,surgia em meio a floresta misteriosa
um velhinho exausto e tremulo e a Deusa em sua face Anciã,
o tomava em seus braços, se balançando em sua cadeira o embalava, cantando...cantando...
E pela manhã ele saltava de seus braços, agora já uma criança radiante e se alçava aos céus para raiar o dia.
Ele é a Criança Solar, Ela é a Mãe de todas as coisas..."

27 de outubro de 2011

O amado Bal Shem Tov estava à morte e mandou chamar seus discípulos.



- Sempre fui o intermediário de vocês e agora, quando eu me for, vocês terão de fazer isso sozinhos. Vocês conhecem o lugar na floresta onde eu invoco a Deus? Fiquem parados naquele lugar e ajam do mesmo modo. Vocês sabem acender a fogueira e sabem dizer a oração. Façam tudo isso e Deus virá.

Depois que Bal Shem Tov morreu, a primeira geração obedeceu exatamente às suas instruções, e Deus sempre veio. Na segunda geração, porém, as pessoas já se haviam esquecido de como se acendia a fogueira do jeito que o Bal Shem Tov lhes ensinara. Mesmo assim, elas ficavam paradas no local especial na floresta, diziam a oração, e Deus vinha.

Na terceira geração, as pessoas já não se lembravam de como acender a fogueira, nem do local na floresta. Mas diziam a oração assim mesmo, e Deus ainda vinha.

Na quarta geração, ninguém se lembrava de como se acendia a fogueira, ninguém sabia mais que local  exatamente da floresta deveriam ficar e, finalmente, não conseguiam se recordar nem da própria oração. Mas uma pessoa ainda se lembrava da história sobre tudo aquilo e relatou com voz alta. E Deus ainda veio.

[de Clarissa Pinkola Estés, no livro o Dom da História: uma fábula sobre o que é suficiente - Editora Rocco, 1998]

"Apetece-me dizer a todas estas mulheres :
 a beleza não está nas cores da tua roupa.
 Nem na macieza do teu cabelo. 
Muito menos nas linhas harmoniosas do teu corpo. 
A beleza sente-se de olhos fechados.
Quando emigras para a lua, no voo da serpente.” 


PAULINA CHIZIANE

25 de outubro de 2011

File:Starsinthesky.jpg
As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. 
Para uns, que viajam, as estrelas são guias. 
Para outros, elas não passam de pequenas luzes. 
Para outros, os sábios, são problemas. 
Para o meu negociante, eram ouro. 
Mas todas essas estrelas se calam.
Tu, porém, terás estrelas como ninguém!
Quando olhares o céu de noite, por que habitarei uma delas, 

porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem. 
E tu terás estrelas que sabem rir.
( de O Pequeno Príncipe )

rosa


Escreve o místico Silesius: a rosa é sem porquê, floresce porque floresce, não cuida de si própria,
 não pergunta se a vemos. Quando se diz ‘a rosa é sem porquê’, ou ‘a rosa é de ninguém’,
 propomo-nos investir num modo de construir o real que já não passa por sermos predadores e 
o real ser uma presa que vamos dominar ou domesticar.
 Entramos num espaço não já de predadores e presas, mas de vigilantes, 
de contemplativos, de operadores do assombro.

José Tolentino de Mendonça


O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem, uma corda por cima do abismo.

E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
Ter fé é dançar na beira do abismo...


Friedrich Nietzsche

24 de outubro de 2011

Vento é


... um outro nome para o movimento das coisas invisíveis, que no entanto se sentem, pressentem.
( Rogério Oliveira )


O Amor diz: Eu Sou tudo.
 A Sabedoria diz: Eu Sou nada.
Entre os dois a existência segue fluindo...
Nisargadatta Maharaj

23 de outubro de 2011


O rio, riozinho, o Riacho do Renegado, como dizem as pessoas daqui.
Contam que nas noites de lua cheia, ainda mais se for sexta-feira, o Diabo
aparece agachado nessa pedra na curva do rio, pitando um cigarro e rindo
sozinho. 
( O Ponto Cego - Lia Luft)

21 de outubro de 2011

Bakhtin diz:

"Tudo o que me diz respeito, a começar por meu nome, 
e que penetra em minha consciência, vem-me do mundo exterior, 
da boca dos outros (da mãe), etc, e me é dado com a entonação, 
com o tom emotivo dos valores deles. Tomo consciência de mim, 
originalmente, através dos outros: deles recebo a palavra, a forma e o tom que servirão a formação original da representação que terei de mim mesmo. [....] 
Assim como o corpo se forma originalmente dentro do seio (do corpo) materno, 
a consciência do homem desperta envolta na consciência do outro."
Arthier-Revuz (consoante com Bakhtin) afirma que "nenhuma palavra é  neutra, mas inevitavelmente , carregada, ocupada,  habitada, atravessada  pelos discursos nos quais viveu sua existência socialmente sustentada".

Adélia Prado


" As línguas são imperfeitas
pra que os poemas existam
e eu pegunte donde vem
os insetos alados
e este afeto,
seu braço roçando o meu".

Adélia Prado

Adélia Prado


Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, 
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. 
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo. 


 Poesia reunida- Editora Siciliano

‎"Você vive na ilusão e na aparência das coisas.
Há uma realidade, mas você não a conhece.
Quando compreendê-la, vai ver que você não é nada,
E, sendo nada, você é tudo.Isso é tudo."


Kalu Rinpoche

19 de outubro de 2011


Perguntaram a John Lennon:

- Por que você não pode ficar sozinho, sem a Yoko?
E ele respondeu:

- Eu posso, mas não quero. Não existe razão no mundo porque eu devesse ficar sem ela. 

Não existe nada mais importante do que o nosso relacionamento, nada. 
E nós curtimos estar juntos o tempo todo. Nós dois poderíamos sobreviver separados, 
mas pra quê? 
Eu não vou sacrificar o amor, o verdadeiro amor, por nenhuma piranha, nenhum amigo e nenhum negócio,
 porque no fim você acaba ficando sozinho à noite. 
Nenhum de nós quer isto, e não adianta encher a cama de transa, isso não funciona. 
Eu não quero ser um libertino. É como eu digo na música, eu já passei por tudo isso, 
e nada funciona melhor do que ter alguém que você ame te abraçando.

10 de outubro de 2011



Quanto mais o ideal feminino se inclina na direção do masculino, 
mais a mulher perde seu poder de compensar o esforço masculino 
de busca da perfeição, e emerge então um ideal tipicamente masculino que, 
como veremos, está ameaçado de enantiodromia. 
Não há caminho depois da perfeição futura: 
existe só o retorno, o colapso do ideal, 
que poderia ter sido facilmente evitado prestando-se atenção ao ideal feminino 
da completude.  O perfeccionismo de Yahweh passa do Velho para o 
Novo Testamento e, a despeito de todo o reconhecimento e a glorificação 
do princípio feminino, este nunca prevaleceu diante da supremacia patriarcal. 
Portanto, de modo algum já sabemos tudo a respeito dele.

C. G. Jung,  Resposta a Jó.

7 de outubro de 2011

poesia..




A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias
(do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.


(Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo - Manoel de Barros)

30 de setembro de 2011

As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. 
Não podem saber. Numa das acepções da palavra,
 é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, 
conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. 
Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria.
 O derradeiro mistério somos nós próprios. 
Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua 
e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, 
restamos ainda nós próprios. 
Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma? 



Oscar Wilde, in 'De Profundis'

23 de setembro de 2011

...



"A terra, inclinando-se e reduzindo-se embaixo de nós,
 ainda eu observava esse rapaz [...] e sua mulher. [...] 
estavam com medo do avião. 
E agora sorriam e gritavam um para o outro, 
olhando para baixo, apontando.
Por que era tão bonito de olhar?
 Porque o medo é feio, e a alegria é linda, assim tão simples? 
Talvez sim.
 Nada é  tão belo quanto o medo dissipando-se."

( Richard Bach )

17 de setembro de 2011


Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

(Alberto Caeiro)

16 de setembro de 2011

"Assovia o vento dentro de mim. 
Estou despido. 
Dono de nada, dono de ninguém, 
nem mesmo dono de minhas certezas,
 sou minha cara contra o vento, a contravento, 
e sou o vento que bate em minha cara..."
( Galeano)

12 de setembro de 2011

"Estou vivo e é por isso que o peito se desmancha contemplando, 
o coração é que contempla o mundo e absorve matéria do infinito, 
eu contemplando sou uma única e solitária visão, 
no entanto soma-se a mim o indescritível e único ser do outro, 
um contorno poderoso, uma outra vastidão de corpos, 
frescor e sofrimento, mergulho no hálito de tudo que contemplo, 
sou eu-teu-corpo ali, lançado às estrelas, sou no infinito, 
sou em tudo por que meu coração-pensamento existe em tumulto, espanto, 
piedade, te sabe, te contempla".

Hilda Hilst

Na madrugada
Evadiu-se o sono...
Saiu a perambular ruas  escuras...
Povoadas de gatos apaixonados
E corujas cantantes...
Talvez volte ao amanhecer o danado...
Olhos ardentes, saciado de noites...
(gi)

....mas se me cativas...


- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
…Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…É preciso ritos…
… Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele…
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar

( O Pequeno Principe).

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

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alguma objeção ou observação por favor contatar-me.
Namastê























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